Page 19 - Telebrasil - Janeiro/Fevereiro 1988
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outorgados  pelo  Governo  para ciência                                                                                                   v ersitário   forte  e  um  em presariado
                     A tese de Vargas é a de que o desen­


            volvimento do  País deve provir do m er­                                                                                                    do País. A partir daí procurou-se fomen­                                                                                                  forte.  Infelizm ente,  no  Brasil,  não  há


            cado interno, visto ter term inado o ciclo                                                                                                   tar, junto à indústria privada, a necessi­                                                                                                prioridade  nem  para  a educação,  nem



            da  substituição  das exportações.  Para                                                                                                     dade desta desenvolver sua própria tec­                                                                                                   para a  pesquisa  tecnológica  -  lamen­



            ele,  o  protecionismo do  Estado até  que                                                                                                   nologia,  visto  que  não  se  tratava  mais                                                                                              tou Pelúcio.


            funcionou  ao  se tra ta r de  tecnologias                                                                                                   de  copiar  apenas  produtos  re la tiv a ­



            m ais  simples,  mas o  País possui  agora                                                                                                   m ente  sim ples  que  eram   importados,                                                                                                                                       M odernidade


             um a economia complexa e frente aos de­                                                                                                      mas sim  de produzir bens de  crescente



            safios das  tecnologias de  ponta — quí­                                                                                                      conteúdo  tecnológico.  Seguiram -se  à                                                                                                            Ouvida  atentam ente por  uma  pla­



             mica fina, informática, biotecnologia —                                                                                                      criação do  CNPq  e  Capre,  que auxilia­                                                                                                 téia de industriais, técnicos e represen­


             faz-se  necessário  negociar a tecnologia                                                                                                    ram  a criar legiões de cientistas, os es­                                                                                                tantes de empresas estatais e privadas,



             externa, sem tibieza (para não perder a                                                                                                      forços da  PUC  e do Coppe (UFRJ) e de                                                                                                    a economista  luso-brasileira  Maria  da



             autonom ia),  mas  tam bém   sem  xenofo­                                                                                                    outras entidades,  destinadas a  formar                                                                                                   Conceição Tavares,  que já  trabalhou


             bia. A receita final deste brasileiro, alto                                                                                                   um novo tipo de empresariado, mais mo­                                                                                                   para a  Finep,  iniciou sua  palestra com



             funcionário da  Unesco:  garantir  recur­                                                                                                     derno.                                                                                                                                   uma  retrospectiva do desenvolvimento


             sos para resolver o problema da dívida;                                                                                                                Repisando  na  tecla  da  im portância                                                                                          histórico  brasileiro  que  caracterizou



             viabilizar o PIB pela absorção pragm á­                                                                                                       do ensino, lembrou o palestrante que na                                                                                                  pela  exploração  latifund iária da  era



             tica (não se deteve Vargas em explicar o                                                                                                      Alem anha  foi  a reforma  universitária                                                                                                 colonial  e pela  explosão demográfica e



             que  isto significa) de  tecnologia; e pela                                                                                                   que gerou sua tecnologia, que nos EUA                                                                                                    pelas grandes migrações  internas  pos­


              m elhor redistribuiçáo da renda. <VE hora                                                                                                    a  indústria é  quem  sustenta,  pratica­                                                                                                teriores. Quanto ao presente, para ela, o

                                                                                                                                                                                                                                                                                                    modelo que vem sendo seguido nos últi­
              dos setores da Indústria, da Educação e                                                                                                       mente,  as universidades,  sem  falar  no                                                                                               mos 50 anos, para fazer face ao  proble­



              da Economia se unirem ”, finalizou.                                                                                                           altíssim o   g rau   de  alfab etização   do


                                                                                                                                                           Japão.                                                                                                                                   ma  do subdesenvolvimento brasileiro,



                                                    Produtividade                                                                                                   — Agente do desenvolvimento é, sem                                                                                              está esgotado.


                                                                                                                                                            dúvida, a existência de um sistema uni-                                                                                                          —  Portanto,  o que se  vé,  do  lado do

                                                                                                                                                                                                                                                                                                    Estudo, é uma burocracia autoritária e
                        Para o engenheiro Paulo Guilherme



               Cunha, que saiu da Petrobrás para che­                                                                                                                                                                                                                                               fragmentada, e do lado da empresa pri­


               g ar  à  presidência  do  G rupo  U ltra                                                                                                                                                                                                                                             vada  a  prevalência  de  um capitalismo



               um a  das  prim eiras  em presas  a  ser  fi­                                                                                                                                                                                                                                       laisscz faire ao sabor dos interesses in­


               nanciada  pela  Finep — o  desenvolvi­                                                                                                                     Vinte anos de Finep                                                                                                       ternacionais— metralhou a economista



               mento possui três ingredientes: capital,                                                                                                                                                                                                                                            concluindo por dizer que em conseqüên-


               recursos hum anos e  recursos  naturais,                                                                                                         51 — Criação do CNPq.                                                                                                              cia  "é necessário que as elites do  País



               incluindo  neste  últim o a  existência  de                                                                                                      65                Fundo de  Financiamento do Estu­                                                                                 passem a assumir maiores riscos, inclu­


               mercado. Citando que, em  1895, o nível                                                                                                          dos Projetos o  Progromus.  Vinculado ao                                                                                           sive  investindo  mais em  tecnologia  de



               educacional do Japão já era superior ao                                                                                                           BNDE.                                                                                                                             risco,  por que a  concorrência  interna  e


               do  Reino  Unido,  lembrou  Paulo Cunha                                                                                                           67  — Criudu a  Finep (Decreto 61.056-24                                                                                          externa deverá ser selvagem, e está na



               que ciência  e  tecnologia, em  realidade,                                                                                                        de julho: Pr. Costa v Silva); Convénio com                                                                                        hora  do  Brasil  assum ir  sua  moderni­


               estão é na cabeça das pessoas — no "jei­                                                                                                          o BNDE para AUSC.                                                                                                                 dade”.

                                                                                                                                                                 69 — Criado o  FNDCT vinculado ao
               tão” do povo.                                                                                                                                     PBDCT.                                                                                                                                     Falando sobre  a  descoordenação da



                        —  Brasileiro, ao contrário do que se                                                                                                    71 — Finep secretaria o FNDCT.                                                                                                    economia, ela  registrou que há um des­


               prom ulga,  trab alh a  m uito, m as traba­                                                                                                       73 — Lançado o ADTEN e o ACN.                                                                                                     compasso entre setores e até entre  re­


               lha  mal  — enfatizou  o  orador,  fazendo                                                                                                        74 — Reestruturado o CNPq.                                                                                                        giões  geográficas  do  Brasil  —  um as



               referência à nossa baixa produtividade,                                                                                                           75 — Instituído o CCNAI.                                                                                                          m uito  ad ian tad as  e  outras  te rriv e l­


               fruto do atraso tecnológico do  País.  As­                                                                                                        78 — Finep passa a secretaria executiva                                                                                            mente atrasadas.  No  plano  internacio­



               sim mesmo, o Brasil é "o mais desenvol­                                                                                                           da CCNAI.                                                                                                                          nal. a diretora do Instituto de Economia


               vido dos  subdesenvolvidos,  situados ao                                                                                                          79 — Política restritiva; crise econômica.                                                                                         Industrial, da UFRJ registra mudanças

                                                                                                                                                                 81 — Finep gere recursos do PME.
               Sul do equador”.                                                                                                                                  84 — Lançado o PADCT.                                                                                                             com  as  multinacionais — que aqui  de­


                         A nalisando  a  tax a  de  crescim ento                                                                                                 85 — Finep sai da esfera da Seplan e inte­                                                                                        tém cerca de um terço do capital privado



               dos  diversos  países,  o  executivo  lem ­                                                                                                        gra o M C&T.                                                                                                                     — e estão voltando para seus países de


               brou,  então,  que  a  situação  m undial                                                                                                         87 — Finep comemora 20 anos no Copaca­                                                                                            origem, levando consigo uma parcela do



               pouco  havia  mudado;  que  os óbices da                                                                                                           bana Palace (RJ).                                                                                                                dinamismo da  economia.  Mas o  impor­


               transferência  de  tecnologia eram  cres­                                                                                                                                                                                                                                            tan te  é  que  o  modelo  de  desenvolvi­



               centes; e que a atual sangria de divisas                                                                                                                                                                                                                                             mento brasileiro, daqui por diante, terá



               na  A m érica  L atina  representava  fato                                                                                                                            Siglas da tecnologia                                                                                           que ser diferente e em conseqüência de­


               único  em  sua  história.  Referindo-se  à                                                                                                                                                                                                                                           verão  ser  estabelecidas,  com  clareza,


               teoria cíclica das crises, Paulo Cunha vê                                                                                                        A C N — Apoio à Consultoria  Nacional;                                                                                              prioridades nacionais,  segundo dois ei­



               na atual conjuntura um a crise de cará­                                                                                                          A D TE N  — Apoio ao Desenvolvimento                                                                                                xos: o dos aspectos sociais e o do desen­



               ter estru tu ral,  a  nível  m undial, e  que                                                                                                    Tecnológico da  Empresa Nacional  (tec­                                                                                             volvimento tecnológico.


               deverá  ainda  p erd u rar por sete  anos.                                                                                                        nologia e processos); AUSC — Apoio aos                                                                                                      P ara  os  em presários e  tecnocratas



               Mas nem tudo está perdido, pois "o de­                                                                                                            Usuários dos Serviços de  Consultoria;                                                                                             presentes, ela vaticinou que a indústria

                                                                                                                                                                FNDTC — Fundo Nacional de Desenvol­
               senvolvimento máximo da C&T — que                                                                                                                                                                                                                                                    deverá contar, provavelmente, com me­

                                                                                                                                                                vimento Científico e Tecnológico; CCNAI
               tem  crescido por ondas — coincide, jus­                                                                                                                                                                                                                                             nos apoio do  Estado  e que  a  sociedade
                                                                                                                                                                — Comissão Coordenadora dos Núcleos

               tam ente, com o máximo das crises eco­                                                                                                           de Articulação com a Indústria; PADCT                                                                                               terá que suportar alta taxa de conflito


               nômicas”.                                                                                                                                        — Program a  de Apoio  ao  Desenvolvi­                                                                                              entre os agentes econômicos, prevendo-



                        Já  Pelúcio Ferreira, mineiro de Lam­                                                                                                   mento Científico e Tecnológico; PME —                                                                                               se o  fim  da política  industrial  de gabi­


               bari,  que começou  sua  vida como tipó­                                                                                                         Programa de Mobilização Energética; M                                                                                               nete  e  uma  maior descentralização de



               grafo  para  depois formar-se  em  econo­                                                                                                        C& T— Ministério da Ciência e Tecnolo­                                                                                              decisões e de recursos,  como convém a

                                                                                                                                                                gia; FINEP— Financiadora de Estudos e
               mia e vir a exercer por oito anos a presi­                                                                                                                                                                                                                                           um País moderno.
                                                                                                                                                                Projetos; BND E— Banco Nacional de De­
               dência  da  Finep,  recordou que  existe                                                                                                                                                                                                                                                      Referindo-se ao mercado financeiro
                                                                                                                                                                senvolvim ento  Econômico; BND ES —

               forte correlação entre o progresso cientí­                                                                                                       BNDE e Social; CNPq — Conselho Nacio­                                                                                               (over não leva a lugar nenhum) e à tri­


               fico e  o  desenvolvimento  tecnológico e                                                                                                        nal de Pesquisa.                                                                                                                    butação  fiscal  (deve favorecer a  quem



               que  com  base  neste  princípio,  até  os                                                                                                                                                                                                                                           inova), ela elogiou a unificação contábil



               anos 70, cresceram bastante os recursos                                                                                                                                                                                                                                              das contas  nacionais e  a existência de»







              Telebrasil. Jan./Fev  88                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  17
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