Page 22 - Telebrasil - Julho/Agosto 1989
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I n d ú s t r i a n a s c e n t e n o B r a s i l
Naja de Paula
Os instrum entos e sistemas de certo nível de padronização no âmbito p ro d u to s , em pouca quantidade,
da Telebrás, na medida em que ela res gerando métodos de fabricação oposto
teste e medição nas áreas de tele
tringiu o número de fornecedores para o aos de produtos de massa. Os equipa
comunicações e informática se seu sistema. Outro padrão nacional se mentos têm como função medir grande
transformaram, mundialmente, guido pelos fabricantes do ramo é o sis zas elétricas ou magnéticas: corrente
paralelo à evoluçáo da microele- tema de TV Pal-M na área de comunica carga elétrica, tensão, resistência, po
trônica e das técnicas digitais. A ções públicas. tência, fluxo magnético, intensidade de
campo. E são necessários para observar,
tendência é de miniaturizaçào e
Distinção medir, controlar ou registrar caracterís
informatização cada vez maior, ticas de funcionamento, conforme espe
assim como a de obediência de A seguir, resumo de algumas obser cificação, em componentes, produtos ou
normas de padronização. vações recolhidas junto a especialistas processos eletro-eletrónicos.
do setor de instrumentação.
“Quando tratamos de instrumentos Indústrias
E xistem dois grandes padrões que de medição devemos dimensionar duas Até 1980, os instrumentos de testee
utilizações básicas: a do laboratório e a
são adotados por quase todos os
países: o Bell (predom inantem ente, de campo (manutenção/instalaçáo), em medição eram quase todos importadosc.
EUA e Canadá) e o CCITT, do órgão con bora a distinção entre uma e outra mui ainda hoje, este tipo de indústria é nas
sultivo internacional com base em Ge tas vezes se torne restrita, já que um cente, no Brasil. São poucas as empre
nebra, Suíça, que dita normas e reco instrum ento de campo também pode, sas nacionais que desenvolvem e fabri
mendações de tal forma que o sistema de em muitos casos, ser aplicado em la cam ou apenas montam estes produtos,
comunicação de dois países possam ser boratório. e sempre voltadas para a área de instru
compatíveis. Os de laboratório, do ponto de vista mentação de campo. Podemos citar, ge
Outra tendência, que vale a pena ser tecnológico, precisam ser universais, neralizando, WGB, Alfatest, Equitel,
mencionada, é o padrão de interface, versáteis e de maior precisão. Talvez se Splice, Monytel, Nansen. Algumas re
visto que a facilidade de interconexáo e jam utilizados até como padrão secun presentam comercialmente empresas
exploração de todo potencial de instru dário onde são aferidos e calibrados ou internacionais, prestando também as
mentação com inteligência sõ se torna tros instrumentos, inclusive os que irão sistên cia técnica, como é o caso da
possível desta forma. A interface que se para campo. Daí a necessidade de alta Ascom.
tornou mais proeminente no mercado é precisão, ser o mais completo possível o Os grandes fornecedores para instru
a IEEE-488, padronizada pelo Instituto poder oferecer muitas facilidades. Fora mentação, no Brasil, são as tradicionais
de Engenharia Elétrica e Eletrônica dos de um laboratório nem sempre existirão empresas internacionais do ramo.enàu
EUA, sob aquele número, e também co condições típicas de medição, logo, só quanto aos equipamentos de tecnolo
nhecida como barramento de interface quanto mais versáteis os instrumentos, gia mais sofisticada. Elas possuem sub
para uso geral. melhor. Do ponto de vista comercial, os sidiárias sediadas em território nacio
Este contexto elucida porque instru instrumentos de laboratório são mais nal com fins de representação comercial
mentos e sistemas de teste e medição po caros e comercializados em menor volu e assistência técnica, como é o caso das:
dem ser aplicados, atualmente, junto às me. Sua fabricação é geralmente o apa Hewlett Packard-USA (telecomunica
mais variadas tecnologias, como a dos nágio de grandes empresas tradicionais ções e medicina); Tektromx/USA (medi
setores digitalizados da rede pública, e de grande porte.” ção em termos gerais); Wandel & Gol-
satélites e a emergente telefonia móvel “Quanto aos de campo, do ponto de termann/R.F. Alemanha (telecomuni
celular, a ser implantada brevemente vista tecnológico, devem ser portáteis, cações); Brúel and Kjaer/Dinamarca
no País. leves e pequenos, pois seu destino é ser (som); Anritsu/Japáo (geral e telecomu
carregado pelo homem. Ao mesmo nicações); Marconi/lnglaterra; Rohde&
Brasil tempo, manter a robustez é fundamen Schwarz/Alemanha (atuando em várias
tal para resistirem a todo tipo de intem áreas, inclusive telecomunicações'.
Devido à expansão crescente de equi péries. O ideal é que possam operar com De forma geral, o mercado brasileiro
pamentos com novas tecnologias, os pro baterias ou pilhas comuns e sejam ver de instrumentação divide-se entre os se
dutos mais vendidos de instrumentação sáteis a fim de executar as medições a tores de laboratório, indústrias, empre
ao Sistema Telebrás atingem as áreas que se propõem. Em termos de funções, sas operadoras de telecomunicações,
das operadoras e CPqD de fibra ópticas, podem ser até mais restritos, contanto usuários de informática e eletrônica,
e transmissão digital, e da Embratel em que elas sejam confiáveis. Outra impor empresas consultoras, instaladorasede
microondas e transmissão digital, expli tante característica é serem de fácil assistência técnica, e qualquer divisão
cam os técnicos. Estes novos instrumen operação.” de uma organização que possua apare
tos também vêm atender às áreas de in “Comercialmente falando”, segundo lhos eletro-eletrônicos. Segundo empre
formática, seja no campo dos usuários executivos do setor, “seu preço de aqui sários, o faturamento este ano, na área
privados de transmissão de dados, ou no sição deve ser razoável para permitir da instrum entação, poderá atingir
âmbito do STB, junto às LPCD (Linhas que empresas de menor porte, como o cerca de US$ 40 milhões.
Privativas de Comunicação de Dados), são geralmente as que fornecem servi
com testadores de modems e de lingua ços, possam adquiri-los sem dificulda Fabricantes
gem de computador. des. Podem até representar um investi
O Brasil segue normas do CCITT em mento maior, de início, mas acabam re A WGB, de São Paulo, criada em
seu sistema de telecomunicações, alcan fletindo, no final, um custo operacional 1979, obteve um faturamento, em 1988.
çando compatibilidade com localidades menor, porque não deixam o homeM do de NCz$ 1.625 milhão, que significa uni
onde estas mesmas normas forem segui campo em falta de m aterial — o que crescimento de 20c/c em relação a 1987.
das. E as mesmas são seguidas pelos fa pode representar desperdício de tempo e “Quinze por cento de nosso faturamento
bricantes de instrumentos e sistemas de dinheiro.” anual é reaplicado no setor de pesquisa
teste e medição. Independente deste pa O m ercado de in stru m en tação é e desenvolvimento”, declara Roberto
drão universal, atingiu-se no País um caracterizado por grande variedade de Beckel, diretor comercial.
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