Page 17 - Telebrasil - Setembro/Outubro 1986
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vicz — metade do mercado será reser pital votante nacional). A propósito des vida, fabricar e participar do desenvol
vado ao Trópico de grande porte, via em tas duas últimas categorias de associa vimento do Trópico, mas desde que te
presas nacionais. Quanto a outra me ção, disse Benjamim Sanckievicz que a nha a certeza das encomendas asse
tade passará a ser disputada pelas em Lei de Informática em nenhum mo guradas.
presas nacionais com o Trópico e pelas mento explicita que o sócio estrangeiro Indiretamente, Benjamin Sanckie
empresas em regime de joint-venture, minoritário não possa ser também o ce vicz responde a este tipo de observação,
que poderão optar entre oferecer mo dente da tecnologia, julgando ele que ao mencionar que o fato de mudanças
delos de tecnologia congelada ou partir isto é apenas uma interpretação dada "sempre causa certa apreensão na in
para o uso da tecnologia Trópico. pela SEI, o que não invalida a estratégia dústria, principalmente por parte da
De acordo com o Secretário do Plane industrial montada pelo Minicom. queles que se sentiam protegidos por al
jamento e Tecnologia do Minicom, esta Mas nem todos vêem as novas mu guma forma de reserva de mercado”.
será uma maneira de criar uma situa danças com toda tranqüilidade. Há vo Mas não se ouvem só críticas. Há os
ção competitiva para a tecnologia nacio zes na indústria que acham que as no que apoiam com entusiasmo a entrada
nal e para a fabricação do Trópico, além vas m edidas irão redundar numa de novas empresas para competir no
de aproveitar ao máximo o parque in grande variedade de tecnologias CPAs, mercado.
dustrial existente na sua produção. o que nào acontece nos países mais in Não há dúvida que para resolver um
dustrializados. Citam eles, a propósito, problema tão complexo quanto o redire-
Estratégia que a França, por exemplo, só trabalha cionamento do mercado de TCs é neces
com a tecnologia Alcatel-Thompson; o sário recorrera muito "jeitinho brasilei
Na base de todo este esquema está o Japão, Nec e Fiyitsu; a Alemanha, Sie ro” e sobretudo dar prioridade ao desen
desenvolvimento da tecnologia Trópico, mens e Lorenz; os Estados Unidos volvimento de tecnologia nacional.
vale dizer da manutenção de recursos ATT&T e Northern Telecom; e a Vene
humanos e financeiros suficientes para zuela só conta com dois fabricantes de Objetivos
os programas do CPqD. CPAs no país.
— Reservamos 2,5% da Receita Bru De acordo com ostes mesmos obser Quando ainda eram incipientes a
ta do Sistema Telebrás para novos de vadores, para se manter qualidade dos tecnologia e a indústria nacionais foi es
senvolvimentos técnicos, o que garan equipamentos de centrais de comutação tabelecida a Portaria 622/78 (vide Re
tirá, de saída, 80 milhões de dólares — que são o coração do sistema telefô vista Telebrasil S/O 85; pg. 16), cujo ob
para área de P&D. Mas, sobretudo, nico — é necessário ter continuidado jetivo foi evitar uma situação de mono
daremos prioridade aos equipamentos e nas encomendas e nào sua pulverização pólio ou então de extrema pulverização
sistemas dotados de projetos e de "inteli entre muitos fornecedores como irá de fornecedores.
gência” brasileira — afirmou a respeito acontecer com as novas medidas. E Passados oito anos, os resultados aí
o representante do Minicom. acrescentaram: estão, diz o Ministério. Consolidou-se
Sc a estratégia der certo é provável — É necessário num mercado mo- um parque industrial que fabrica a qua
que até o fim deste século estará o País nopsônico, como é o das encomendas do se totalidade dos equipamentos neces
dotado de centrais de tecnologia Tró Sistema Telebrás, que esta se apóie em sários ao Sistema Nacional de Teleco
pico, em várias capacidades. Estas cen empresas maduras que possam dar con municações e o índice de nacionalização
trais serão fabricadas por um conjunto tinuidade ao processo tecnológico. A ca supera a casa dos 90%. Do ponto de vista
constituído nào só de empresas 100% pacitação tecnológica é um processo político, a Portaria 622 conduziu à na
nacionais, mas também de empresas as contínuo e o importante é desenvolver cionalização das indústrias estrangei
sociadas com capital estrangeiro (Lei solidamente o Trópico R e depois, então, ras aqui estabelecidas e aos poucos
7.322 com 70% do capital) e de empresas passar para desenvolver as hierarquias foram sendo desenvolvidos — no CPqD
em regime de joint-venture (51% do ca mais altas. Todo o mundo quer, sem dú- e na indústria nacional — verdadeiros
projetos brasileiros, como por exemplo a
fibra óptica e a comutação CPA Trópico.
Hoje em dia, porém, sentem as au
COMO FICARÁ 0 MERCADO DE COMUTAÇÃO PÚBLICA CPA À
LUZ DO ANTEPROJETO DE ATUALIZAÇÃO DA PORTARIA 622/78* toridades do Minicom necessidade de re
direcionar a Portaria 622, no sentido de
TECNOLOGIA MERCADO assegurar maior incentivo ao desenvol
Capacidade
das Cantrali Atual em 1990 Regime Fabricantes vimento do projeto brasileiro. É o velho
Final Autorizados
problema da tecnologia nacional que
Pequeno Porte • Trópico R (CPqD): • Trópico CPqD • 100% do mercado para • no momento. Elebra volta à baila, conjuntamente com o da
(até 4 mil t) Isponlvel projeto brasileiro. PHT; SESA. participação do capital nacional — que
• após prazo (em defini
çào): empresa nacional preservados compromissos e situações
t é c n i c a e e c o n o m i c a existentes — deve resultar em um
mente habilitada. maior estímulo para a participação de
Médio Porte • Trópico RA(nôo dispo- • Trópico CPqD (já estará • 50% do mercado reser • no momento: Elebra capitais brasileiro e para o desenvolvi
(de 4 a 10 mil t> (nível, mas CPqD já com disponível) vado p projeto brasileiro PHT, SESA. mento de projetos locais.
prometido com seu de • e s t r a n g e i r a : A X E ; e o restante aberto para • após prazo (em defini
senvolvimento) N E A X 6 1 ; E W S D ( c o n p r o j e t o estrangeiro de çào): empresa nacional Segundo Benjamin Sanckiewicz, se
• e s t r a n g e i r a : A X E ; g e l a d a n o s m o d e l o s tecnologia congelada. habilitada. cretário de Planejamento e Tecnologia
NEAX 61; EWSD. atuais). • indústrias brasileiras do Minicom, nesta fase de aperfeiçoa
atuais fornecedoras com mento da política industrial do setor,
tecnologia congelada:
Equitel; Ericsson; NEC. será dada ênfase à livre iniciativa, pro
tegendo-se explicitamente o pequeno e
• Grande Porte o s t r a n g o i r a : A X E ; • estrangeira: tecnologia • 50% do mercado reser • empresas nacionais ha
(acima de 10 mil t) NEAX 61; EWSD. atualizada à época. vado p/projeto brasileiro bilitadas, com projetos médio empresário. Também será visto,
Trópico CPqD (nào dis- • Trópico CPqD (nào de e o restante aberto para brasileiros. com cuidado, o problema da transferên
nível) verá estar disponível) projeto brasileiro e pro • indústrias brasileiras cia de tecnologia externa verificando-se
jeto estrangeiro de tec atuais fornecedoras, com "sua efetiva contribuição ao processo de
nologia congelada. tecnologia livre e depois
com tecnologia congela capacitação nacional”. Assim, verifica-
da, ao entraroTrópico, ou se que há desejo, por parte do Minicom,
equivalente. em incentivar de fato o projeto nacional
* Note»: Indústria brasllolro é a quo ae onquadra no item (3. 1 da P ortaria 622/75151% do capital votante); Empresa nacio e não o de cópias ou adaptações de proje
nal 6 a que se enquadra no a rtig o 12 de Lei 7232 84 (70% do capital votante): Projeto brasileiro é. além do Trópico, qual-
quor outro com provadam enta desenvolvido no Pala p o r em presa nacional. tos provenientes do exterior. (JCF)